Polarização Política.

Nestes últimos anos, a forma como a política tem sido apresentada às pessoas está, na minha opinião substancialmente errada. Digo isto porque sempre que assisto, na televisão, políticos e comentadores a analisar discursos, ou políticas custa-me ouvir a demagogia e os ataques pessoais entre eles. Porém, tudo fica pior quando entro nas redes sociais e vejo na conta de muitos apoiantes partidários, desinformação e ataques repugnantes aos nossos líderes políticos, onde não há respeito pelo trabalho do Governo e do Parlamento. Depois disto, dentro da casa da Democracia, onde a seriedade na discussão política e o debate democrático são imprescindíveis ao avanço do país, perdem-se horas e horas a discutir factos irrelevantes para o solucionar do problema, eliminando a eficiência em que a Assembleia da República consegue fazer oposição, ou não ao governo. Como um jovem luso-brasileiro de 15 anos, gostaria também de chamar atenção, neste texto, à forma deplorável e pior do que a portuguesa, de como a política tem sido discutida no Brasil e nos EUA.  

-Feijoada de feijão preto sem carne- 

 Começando pelo Brasil, desde o esfaqueamento de Jair Bolsonaro, e também pela libertação do Presidente Lula, houve um grande aumento da polarização e agressividade no debate político brasileiro, onde, em grande parte, os de esquerda não conseguem dialogar com os de direita e os de direita não conseguem dialogar com os de esquerda. Dando um exemplo atual, menciono como se têm comportado alguns políticos nos debates das eleições para Prefeito de São Paulo. De um lado temos Pablo Marçal, um empreendedor milionário e governalista” como ele chama, que tem uma narrativa de querer resolver os problemas, sem todo o empate político dos políticos. Isto acaba por ser contraprodutivo porque Pablo apresenta-se com um discurso de intolerância e arrogância na forma como ataca os seus adversários políticos, motivando o eleitorado mais novo de direita através de vídeos curtos no Instagram onde ridiculariza os seus adversários e desvaloriza a profissão de político. Do outro lado, temos a esquerda bastante atacada de Guilherme Boulos que desvaloriza e desmoraliza Marçal, chamando-lhe nomes e ridicularizando-o. A pergunta que deixo é: Como é que os residentes de São Paulo estão a sentir-se, apercebendo-se que os seus candidatos a Prefeito, pouco discutem acerca de propostas concretas para o desenvolver da sua cidade, e ao invés disso limitam-se a utilizar a demagogia e os ataques pessoais como trunfo.  

 O triste é que a cidade de São Paulo retrata o que se tem passado com a política de todo o Brasil, onde o debate democrático nas televisões, nas redes sociais e no Congresso têm desaparecido pondo em causa a liberdade de expressão que eu tanto clamo, e ficando presos em debatezinhos que nada resolverão problemas como a pobreza, a fome e o crime no Brasil. 

-Kamala e Trump, ou cão e gato- 

 No Estados Unidos sempre houve uma grande divisão entre os Democratas e os Republicanos, atualmente principalmente em temas como o aborto, a sexualidade, entre muitos outros. Mas nestes últimos meses, aconteceram coisas que não posso deixar de retratar, porque sem dúvidas diminuíram ainda mais a estabilidade política americana. Começando pelo declínio neurológico de Biden, onde muitas vezes trocou nomes e números, como Zelenski por Putin. Consequentemente, houve a troca de Joe Biden por Kamala Harris à nomeação democrata à presidência do Estados Unidos, o que é mais um trunfo para Donald Trump porque pode usar a narrativa dele para enaltecer a opinião daqueles que acham Kamala Harris é incompetente e incapaz de governar por ter cromossomas XX, o que francamente repugna-me. Posteriormente, acontece outro grande trunfo para a campanha de Trump que é quando este leva um tiro e sobrevive, atraindo eleitorado mais ao centro que estava indeciso em quem dos dois votar. Depois deste atentado, as “Polls” ou sondagens deram uma vitória clara a Donald Trump. Menciono também, o discurso inacreditavelmente seco de Trump em relação às guerras, que mesmo assim consegue persuadir alguns americanos que acreditam que a guerra se resolve com um telefonema.

Tudo isto resulta em uma grande instabilidade política nos EUA que dá asas à polarização do discurso, à divisão cerrada entre liberais e conservadores e aos ataques frequentes entre partes, que para mais nada servem do que para atrasar a maior potência do mundo. Vejo muitos vídeos curtos que fazem piadas com os Democratas, e outros que fazem piada com os Republicanos, para atrair jovens que infelizmente deixam-se persuadir por este tipo de conteúdo. 

-Bolos de Bacalhau sem bacalhau- 

 Nesta metáfora inicial, consigo descrever precisamente a política portuguesa, onde por fora o bolo é bonito e bem confecionado (demagogia e ataques pessoais de um partido na visão de um apoiante desse partido), mas que por dentro parece seco por faltar na discussão de propostas e soluções prendendo-se em batalhas ridículas (sem bacalhau). O Deputado da Iniciativa Liberal, Carlos Guimarães Pinto, a pouco tempo, em uma Audição ao Ministro das Infraestruturas e Habitação mencionou:  Estas discussões sobre habitação são bastante representativas da forma como se discute quase tudo em Portugal...mas em vez de nos focarmos na solução, que é acelerar a construção de mais casas, para que mais pessoas possam ter acesso a ela, passamos o tempo todo a discutir como vamos dividir aquilo que existe. Os rendimentos são baixos, mas quase nem se discute como se pode fazer a economia crescer. Isto é apenas um pequeno exemplo da falta de eficácia na discussão dentro da Assembleia da República, eu imagino como estaríamos economicamente e socialmente, se realmente nos focássemos em pontos finais e não em vírgulas.   

Isto passa a ser um problema democrático, porque como em democracia quem ganha nas eleições é que tem mais votos, e bem, os partidos aproveitam-se de crises quase que desimportantes para ganhar votos. Em qualquer país democrático, a única forma de se ganhar votos tem de ser existindo propostas concretas, estruturais e solucionadoras, que realmente melhorem o país, e que usem bem o dinheiro dos contribuintes, realmente aplicando-o em soluções que funcionam, muito precisam disto a saúde, a edução, os transportes entre outros. 

 Para concluir, acho imprescindível ao desenvolvimento de Portugal, a discussão eficaz e respeitosa das medidas que podem mudar Portugal. Só com isto consegue-se negociar mais a fundo cada proposta, para que o melhor de cada uma das partes seja ouvida e aplicada. Ainda há muito por fazer, mas devemos começar a fazer isto para aí sim, conseguir mudar estratégica e estruturalmente o nosso país. 

Créditos: Sr. Deputado Carlos Guimarães Pinto, Pablo Marçal, Guilherme Boulos, Donald Trump, Kamala Harris, Joe Biden, Volodimyr Zelensky 

Autoria: João Francisco Firmeza 

Com apoio de: Tiago Marques 

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